“Assim pois, cada um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré teve que representar seu papel na cena, Judas não queria executar o que lhe tocou; solicitou o de Pedro, mas Jesus já havia estabelecido firmemente a parte que cada discípulo teria que simbolizar.
O papel que Judas representou teve que aprendê-lo de memória, e lhe foi ensinado por seu Mestre.
Judas Iscariotes nunca, pois, traiu ao Mestre. O Evangelho de Judas é a dissolução do Ego; sem Judas não é possível o Drama Cósmico. É, pois, este apóstolo o mais exaltado adepto, o mais elevado de todos os apóstolos de Jesus Cristo.
Indubitavelmente, cada um dos doze teve seu próprio Evangelho. Não poderíamos negar a Patar, Pedro. Ele é o hierofante do sexo, aquele que tem as chaves do Reino em sua direita, o grande iniciador.
E que diremos de Marcos, quem guardara com tanto amor os mistérios da unção gnóstica. E que de Felipe, aquele grande iluminado cujo evangelho nos ensina a sair em corpo astral e a viajar com o corpo físico em estado de Jinas. E que de João, com a doutrina do verbo. E que de Paulo, com a filosofia dos gnósticos. Seria muito extenso narrar aqui todo o que se relaciona com os doze e o Drama Cósmico.
Chegou o momento de eliminar de nossas mentes a ignorância e os velhos preconceitos religiosos; chegou o instante de estudar a fundo o esoterismo crístico.”
“P.-V.M. Então, se o Judas Iscariotes foi o mais exaltado dos discípulos do Grande Kabir Jesus, então, quem foi o traidor?
R.- Respondo a esta pergunta que sai do auditório. Amigos e irmãos gnósticos que me escutam, o verdadeiro traidor de Cristo está dentro de cada um de vocês. Isto quer dizer que não somente traíram ao Cristo, senão que ademais o estão traindo diariamente, de instante em instante e de momento em momento.
Bem sabem os irmãos maçons o que são os três traidores de Hiram Abif: Judas é o demônio do desejo, que trai ao Cristo íntimo de segundo em segundo; Pilatos é o demônio da mente, que sempre anda desculpando-se, justificando-se, lavando as mãos, declarando-se inocente, etc., etc.; Caifás é o demônio da má vontade, cada qual o leva bem dentro, aquele que não sabe fazer a Vontade do Pai, esse que sempre faz o que quer, o que lhe dá na gana, sem importar-lhe nada os mandamentos do Bendito.
Os três traidores assassinaram a Hiram Abif, o Mestre Secreto.
Jesus, o Grande Kabir, antes de cristalizar em si mesmo as três forças primárias do Universo, teve que eliminar ao Judas íntimo, como tereis que fazer cada um de vós.
Entendido tudo isto, compreendendo que o Iscariotes somente cumpriu com um dever obedecendo a seu Mestre e representando um papel que havia aprendido de memória, devemos agora fazer justiça a esse adepto ante o veredicto solene da consciência pública.”